Homens e mulheres ocuparam a área por falta de opção, emprego ou solução .




Ex-empregada doméstica, ela veio do Maranhão e ‘não tem mais forças para lavar e passar’. Está acampadaEx-empregada doméstica, ela veio do Maranhão e ‘não tem mais forças para lavar e passar’. Está acampada

"A gente cria os filhos na certeza de receber apoio deles na velhice. Mas o meu destino seguiu outro rumo e, ao ser abandonada por eles, não restou outra alternativa senão a favela", diz a doméstica Francisca Maria Fernandes da Silva, de 52 anos. Imigrante de Caxias (MA), as lágrimas no rosto de dona Francisca demonstram a mágoa de não ter os filhos ao lado e a revolta pela perda de todos os bens, na ação da PM (Polícia Militar) durante a desocupação da Favela da Família.

"Sou ignorada por um filho porque não aceitava a mulher dele. Já uma outra filha, que mora no Salgado Filho, ofereceu apenas pouso à noite. Ao amanhecer, preciso sair da casa dela. Temos de aceitar a opção dos filhos", conta, ao dizer que sempre foi boa mãe.

Para atender ao pedido dos próprios filhos, Francisca deixou o Maranhão em busca de vida melhor em Ribeirão Preto (SP) há quase 15 anos. Do Nordeste trouxe poucas roupas, mas muita expectativa, como a de encontrar em solo ribeirão-pretano salário melhor e moradia.

"Foi apenas ilusão. Trabalhei nesse tempo todo como doméstica e pagava aluguel no Jardim Aeroporto. Sem emprego, já que não tenho mais forças para lavar ou passar, mudei para a favela há seis meses. Agora estou na rua."

Como ela apenas dorme na casa da filha, durante o dia permanece com outras 90 famílias na tenda armada em um campo de futebol, ao lado da Favela Leão. "Aqui encontro o carinho e o amor da comunidade. Quero lutar com eles, porque precisamos de moradia digna", diz.

Como dona Francisca, a maioria dos moradores da Favela da Família é imigrante do Nordeste, que deixaram as cidades de origem para trabalhar na construção civil e na colheita da cana-de-açúcar. "Não temos vez na Califórnia brasileira. Mas a esperança é a última que morre."

‘Em busca de saúde para a minha filha’

A cena de Ana Maria Rodrigues de Moura, de 50 anos, do marido Edvaldo Ferreira dos Santos, 49, e da filha de 22, que é deficiente visual, sendo tirados à força do barraco na Favela da Família ainda repercute. "Com o empurrão do policial, eu caí no chão. Era mais um tombo na minha vida, sempre marcada por altos e baixos, mas com a certeza que um dia serei feliz. Das lágrimas quero tirar a minha vitória", diz.

Ana deixou há quase 20 anos a cidade de Rio Pardo de Minas (MG) em busca de tratamento para a filha, que não tem a visão de um olho. Com o marido e os outros filhos, também está na tenda improvisada.

‘Queria emprego melhor’

Em outubro de 2010, o servente de pedreiro Daniel Bezerra da Silva, de 19 anos, chegou a Ribeirão ao deixar Petrolina (PE) com dois filhos no colo - um de um ano e o outro de quatro - com a mulher. "Um primo disse que Ribeirão era um paraíso e ganharíamos muito dinheiro. Foi um engano. Quando cheguei, até que encontrei um emprego fácil. Paguei aluguel por três meses. A situação apertou e tive de ir para a favela no início do ano", conta.

Com uma poupança, comprou alguns materiais de construção e ergueu um barraco na Favela da Família. "Estou morando ao relento, contando só com a ajuda da população. Perdi absolutamente tudo."

‘Ilusão de ganhar R$ 5 mil’

Sem conseguir emprego há mais de cinco anos em Belém do Piauí (PI), José Carlos Guido, de 35 anos, deixou a família em agosto de 2010 para tentar a vida em Ribeirão Preto, onde chegou a trabalhar na colheita de cana e na construção civil. "Um homem me trouxe pra cá e prometia salário de R$ 5 mil. Fui enganado e passei a morar nas favelas. Depois que saí da Itápolis, consegui espaço na Favela da Família", conta.

José Carlos conta que o sonho dele era guardar dinheiro para comprar uma casa e um carro. "A vida em Piauí era difícil, mas tinha pelo menos uma bicicleta".

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Essa gente veio atrás de um sonho!

Homens e mulheres ocuparam a área por falta de opção, emprego ou solução .




Ex-empregada doméstica, ela veio do Maranhão e ‘não tem mais forças para lavar e passar’. Está acampadaEx-empregada doméstica, ela veio do Maranhão e ‘não tem mais forças para lavar e passar’. Está acampada

"A gente cria os filhos na certeza de receber apoio deles na velhice. Mas o meu destino seguiu outro rumo e, ao ser abandonada por eles, não restou outra alternativa senão a favela", diz a doméstica Francisca Maria Fernandes da Silva, de 52 anos. Imigrante de Caxias (MA), as lágrimas no rosto de dona Francisca demonstram a mágoa de não ter os filhos ao lado e a revolta pela perda de todos os bens, na ação da PM (Polícia Militar) durante a desocupação da Favela da Família.

"Sou ignorada por um filho porque não aceitava a mulher dele. Já uma outra filha, que mora no Salgado Filho, ofereceu apenas pouso à noite. Ao amanhecer, preciso sair da casa dela. Temos de aceitar a opção dos filhos", conta, ao dizer que sempre foi boa mãe.

Para atender ao pedido dos próprios filhos, Francisca deixou o Maranhão em busca de vida melhor em Ribeirão Preto (SP) há quase 15 anos. Do Nordeste trouxe poucas roupas, mas muita expectativa, como a de encontrar em solo ribeirão-pretano salário melhor e moradia.

"Foi apenas ilusão. Trabalhei nesse tempo todo como doméstica e pagava aluguel no Jardim Aeroporto. Sem emprego, já que não tenho mais forças para lavar ou passar, mudei para a favela há seis meses. Agora estou na rua."

Como ela apenas dorme na casa da filha, durante o dia permanece com outras 90 famílias na tenda armada em um campo de futebol, ao lado da Favela Leão. "Aqui encontro o carinho e o amor da comunidade. Quero lutar com eles, porque precisamos de moradia digna", diz.

Como dona Francisca, a maioria dos moradores da Favela da Família é imigrante do Nordeste, que deixaram as cidades de origem para trabalhar na construção civil e na colheita da cana-de-açúcar. "Não temos vez na Califórnia brasileira. Mas a esperança é a última que morre."

‘Em busca de saúde para a minha filha’

A cena de Ana Maria Rodrigues de Moura, de 50 anos, do marido Edvaldo Ferreira dos Santos, 49, e da filha de 22, que é deficiente visual, sendo tirados à força do barraco na Favela da Família ainda repercute. "Com o empurrão do policial, eu caí no chão. Era mais um tombo na minha vida, sempre marcada por altos e baixos, mas com a certeza que um dia serei feliz. Das lágrimas quero tirar a minha vitória", diz.

Ana deixou há quase 20 anos a cidade de Rio Pardo de Minas (MG) em busca de tratamento para a filha, que não tem a visão de um olho. Com o marido e os outros filhos, também está na tenda improvisada.

‘Queria emprego melhor’

Em outubro de 2010, o servente de pedreiro Daniel Bezerra da Silva, de 19 anos, chegou a Ribeirão ao deixar Petrolina (PE) com dois filhos no colo - um de um ano e o outro de quatro - com a mulher. "Um primo disse que Ribeirão era um paraíso e ganharíamos muito dinheiro. Foi um engano. Quando cheguei, até que encontrei um emprego fácil. Paguei aluguel por três meses. A situação apertou e tive de ir para a favela no início do ano", conta.

Com uma poupança, comprou alguns materiais de construção e ergueu um barraco na Favela da Família. "Estou morando ao relento, contando só com a ajuda da população. Perdi absolutamente tudo."

‘Ilusão de ganhar R$ 5 mil’

Sem conseguir emprego há mais de cinco anos em Belém do Piauí (PI), José Carlos Guido, de 35 anos, deixou a família em agosto de 2010 para tentar a vida em Ribeirão Preto, onde chegou a trabalhar na colheita de cana e na construção civil. "Um homem me trouxe pra cá e prometia salário de R$ 5 mil. Fui enganado e passei a morar nas favelas. Depois que saí da Itápolis, consegui espaço na Favela da Família", conta.

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