A Polícia Federal (PF) desarticulou uma rede internacional de compartilhamento de pornografia infantil na internet nesta quinta-feira. A operação, denominada DirtyNet (Rede Suja), teve apoio do Ministério Público Federal e da Interpol e prendeu 32 suspeitos em nove Estados brasileiros. A investigação, iniciada em dezembro do ano passado, identificou 160 usuários na América, Europa, Ásia e Oceania, dos quais 63 no Brasil e 97 no exterior.

A Interpol encaminhou notícias criminais aos 34 países que têm cidadãos envolvidos para que tomem providências de acordo com suas legislações.
Durante o dia, a PF foi informada de que ações de combate à divulgação de pornografia infantil também haviam sido desencadeadas no Reino Unido e na Bósnia e Herzegovina. Depois da prisão de um homem com material pornográfico no final do ano passado, a PF passou a analisar os contatos que ele tinha e descobriu a existência da rede, constatando que a organização era fechada e só dava acesso a convidados aprovados pelos demais integrantes.
O material não era comercializado. A moeda de troca era o acervo de cada participante, que disponibilizava suas fotografias e vídeos e, com isso, tinha acesso às peças dos demais integrantes do esquema. O grupo usava um software de troca de arquivos criptografados para manter suas operações em sigilo. Durante as buscas, alguns policiais perceberam que os integrantes da rede se sentiam seguros pelo anonimato e foram surpreendidos pelos mandados de prisão.
O conteúdo eletrônico encontrado na investigação deixou policiais experientes perplexos. “Em minha experiência pessoal, isso é o que eu vi de pior”, revelou a delegada de Defesa Institucional Diana Calazans Mann, acostumada a casos do gênero, ao descrever cenas que viu como “repulsivas” e “abjetas”. O procurador da República na área criminal Rodrigo Valdez de Oliveira, que acompanhou toda a apuração, usou definições semelhantes. “São as formas mais repugnantes desse tipo de crime”, afirmou.
Segundo a delegada e o procurador da República, as fotografias e vídeos mostram menores com idades de zero a 12 anos com genitália à mostra, adultos abusando de crianças, adolescentes e até bebês e crianças praticando sexo entre elas. Oliveira relata que um dos cinco presos no Rio Grande do Sul tinha 5,7 mil fotografias para compartilhar.
Os participantes da rede não têm um perfil definido. São de todas as classes sociais e de todos os níveis de conhecimento. “A maioria deles vai responder a processo por distribuição de pedofilia, crime que pode levar a penas de três a seis anos de reclusão e que podem ser aumentadas por crime continuado, quantidade de fotografias distribuídas e recebidas”, afirma Oliveira. “Eventualmente podem responder também pela posse do material”, completa. Para este delito, a condenação pode ser de um a quatro anos de reclusão. O procurador da República prevê ainda que parte dos envolvidos seja encaminhada a tratamento para superar a compulsão e se ressocializar.
A investigação não termina com as prisões e apreensões efetuadas nesta quinta-feira. Nas próximas etapas, com a análise de computadores, CDs, DVDs, pen drives e fotografias apreendidas, os policiais tentarão identificar as vítimas e os adultos que aparecem nas imagens. Se, além de armazenar e distribuir as imagens, alguns participantes da rede também participaram de abuso e estupro de vulneráveis, eles terão de responder também por esse crime. A apuração deve indicar ainda se foram reais alguns rituais macabros, como prática de canibalismo, referida em conversas entre integrantes da rede.
Segundo balanço distribuído pela PF no final da tarde desta quinta-feira foram presas cinco pessoas no Rio Grande do Sul, três no Paraná, nove em São Paulo, cinco no Rio de Janeiro, uma no Espírito Santo, uma no Ceará, cinco em Minas Gerais, uma na Bahia e duas no Maranhão.
Os países que têm pelo menos um de seus moradores envolvidos com a rede são a Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bósnia, Canadá, Chile, Colômbia, Croácia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Indonésia, Irã, Holanda, Macedônia, México, Noruega, Peru, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Rússia, Sérvia, Suécia, Tailândia e Venezuela.
Informações: O Estado de São Paulo

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A Interpol encaminhou notícias criminais aos 34 países que têm cidadãos envolvidos para que tomem providências de acordo com suas legislações.
Durante o dia, a PF foi informada de que ações de combate à divulgação de pornografia infantil também haviam sido desencadeadas no Reino Unido e na Bósnia e Herzegovina. Depois da prisão de um homem com material pornográfico no final do ano passado, a PF passou a analisar os contatos que ele tinha e descobriu a existência da rede, constatando que a organização era fechada e só dava acesso a convidados aprovados pelos demais integrantes.
O material não era comercializado. A moeda de troca era o acervo de cada participante, que disponibilizava suas fotografias e vídeos e, com isso, tinha acesso às peças dos demais integrantes do esquema. O grupo usava um software de troca de arquivos criptografados para manter suas operações em sigilo. Durante as buscas, alguns policiais perceberam que os integrantes da rede se sentiam seguros pelo anonimato e foram surpreendidos pelos mandados de prisão.
O conteúdo eletrônico encontrado na investigação deixou policiais experientes perplexos. “Em minha experiência pessoal, isso é o que eu vi de pior”, revelou a delegada de Defesa Institucional Diana Calazans Mann, acostumada a casos do gênero, ao descrever cenas que viu como “repulsivas” e “abjetas”. O procurador da República na área criminal Rodrigo Valdez de Oliveira, que acompanhou toda a apuração, usou definições semelhantes. “São as formas mais repugnantes desse tipo de crime”, afirmou.
Segundo a delegada e o procurador da República, as fotografias e vídeos mostram menores com idades de zero a 12 anos com genitália à mostra, adultos abusando de crianças, adolescentes e até bebês e crianças praticando sexo entre elas. Oliveira relata que um dos cinco presos no Rio Grande do Sul tinha 5,7 mil fotografias para compartilhar.
Os participantes da rede não têm um perfil definido. São de todas as classes sociais e de todos os níveis de conhecimento. “A maioria deles vai responder a processo por distribuição de pedofilia, crime que pode levar a penas de três a seis anos de reclusão e que podem ser aumentadas por crime continuado, quantidade de fotografias distribuídas e recebidas”, afirma Oliveira. “Eventualmente podem responder também pela posse do material”, completa. Para este delito, a condenação pode ser de um a quatro anos de reclusão. O procurador da República prevê ainda que parte dos envolvidos seja encaminhada a tratamento para superar a compulsão e se ressocializar.
A investigação não termina com as prisões e apreensões efetuadas nesta quinta-feira. Nas próximas etapas, com a análise de computadores, CDs, DVDs, pen drives e fotografias apreendidas, os policiais tentarão identificar as vítimas e os adultos que aparecem nas imagens. Se, além de armazenar e distribuir as imagens, alguns participantes da rede também participaram de abuso e estupro de vulneráveis, eles terão de responder também por esse crime. A apuração deve indicar ainda se foram reais alguns rituais macabros, como prática de canibalismo, referida em conversas entre integrantes da rede.
Segundo balanço distribuído pela PF no final da tarde desta quinta-feira foram presas cinco pessoas no Rio Grande do Sul, três no Paraná, nove em São Paulo, cinco no Rio de Janeiro, uma no Espírito Santo, uma no Ceará, cinco em Minas Gerais, uma na Bahia e duas no Maranhão.
Os países que têm pelo menos um de seus moradores envolvidos com a rede são a Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bósnia, Canadá, Chile, Colômbia, Croácia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Indonésia, Irã, Holanda, Macedônia, México, Noruega, Peru, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Rússia, Sérvia, Suécia, Tailândia e Venezuela.
Informações: O Estado de São Paulo

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