A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema) apresentou na manhã desta quarta-feira (14), em entrevista coletiva, informes sobre várias denúncias de conflitos por terra no município de Codó (a 291 quilômetros de São Luís).
Segundo dados da Fetaema, existem 12 comunidades vivendo conflitos agrários em Codó:
Lagoa do Leme, Santa Joana, Puraquê, Santa Maria dos Moreiras, Três Irmãos, Monte Barro, Queimadas, Mata Virgem, Vergel, Santa Rita dos Moisés, Matões dos Moreiras e Buriti Corrente.
Cerca de 654 famílias (quase três mil pessoas) estão ameaçadas.
O descaso por parte dos órgãos públicos quanto à regularização de terra no Maranhão foi um tema que mereceu destaque durante a entrevista coletiva.
'O governo estadual, por meio do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma), e o federal, representado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), têm de acompanhar com um olhar mais humano os problemas pelos grandes latifundiários do agronegócio', denunciou Maria Lúcia Vieira, diretora de Política Agrária da Fetaema.
Outros pontos, como a situação dos quilombolas codoenses, do trabalho escravo, da grilagem de terra, das constantes ameaças, também foram abordados pela Fetaema.
'Não podemos permitir o desrespeito às comunidades tradicionais e aos quilombolas. Temos imagens de jagunços armados ameaçando as famílias em Codó. Não é possível cruzarmos os braços e observarmos essa realidade como se estivesse longe de nós, pois ela acontece bem debaixo dos nossos olhos. Muitas vezes, a própria polícia, que deveria proteger os cidadãos do campo, é justamente quem aterroriza as comunidades, a mando dos grandes ‘coronéis’ locais', disse Maria Lúcia Vieira. Na coletiva também estiveram presentes, representantes de duas comunidades de Codó.
No rosto de cada um deles, estava estampado o medo do terror que assola estes povoados. 'Ouvimos muito o lamento das mães quanto à ameaça de perderem seus filhos ou maridos. Temos medo de perder nossa terra. Muitos deixaram de andar sozinhos', afirmou Mário Sérgio, trabalhador rural do povoado Bom Jesus.
Pedro da Silva, presidente da Associação Quilombola de Santa Maria dos Moreiras, declarou que, apesar das constantes ameaças, vai resistir às pressões dos latifundiários do agronegócio.
'Vamos continuar na luta. Quero acompanhar meus filhos crescerem. Quero abraçar meus netos, dentro da terra que vem dos meus avós. Nossas famílias estão unidas e confiantes de que a justiça será feita', disse o trabalhador rural.
No próximo domingo (18), representantes da Fetaema vão a Codó, onde participam de uma grande reunião com trabalhadores rurais de várias comunidades envolvidas em conflitos agrários no município.

Fonte: Jornal Pequeno

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Fetaema denuncia conflitos agrários na cidade de Codó


A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema) apresentou na manhã desta quarta-feira (14), em entrevista coletiva, informes sobre várias denúncias de conflitos por terra no município de Codó (a 291 quilômetros de São Luís).
Segundo dados da Fetaema, existem 12 comunidades vivendo conflitos agrários em Codó:
Lagoa do Leme, Santa Joana, Puraquê, Santa Maria dos Moreiras, Três Irmãos, Monte Barro, Queimadas, Mata Virgem, Vergel, Santa Rita dos Moisés, Matões dos Moreiras e Buriti Corrente.
Cerca de 654 famílias (quase três mil pessoas) estão ameaçadas.
O descaso por parte dos órgãos públicos quanto à regularização de terra no Maranhão foi um tema que mereceu destaque durante a entrevista coletiva.
'O governo estadual, por meio do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma), e o federal, representado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), têm de acompanhar com um olhar mais humano os problemas pelos grandes latifundiários do agronegócio', denunciou Maria Lúcia Vieira, diretora de Política Agrária da Fetaema.
Outros pontos, como a situação dos quilombolas codoenses, do trabalho escravo, da grilagem de terra, das constantes ameaças, também foram abordados pela Fetaema.
'Não podemos permitir o desrespeito às comunidades tradicionais e aos quilombolas. Temos imagens de jagunços armados ameaçando as famílias em Codó. Não é possível cruzarmos os braços e observarmos essa realidade como se estivesse longe de nós, pois ela acontece bem debaixo dos nossos olhos. Muitas vezes, a própria polícia, que deveria proteger os cidadãos do campo, é justamente quem aterroriza as comunidades, a mando dos grandes ‘coronéis’ locais', disse Maria Lúcia Vieira. Na coletiva também estiveram presentes, representantes de duas comunidades de Codó.
No rosto de cada um deles, estava estampado o medo do terror que assola estes povoados. 'Ouvimos muito o lamento das mães quanto à ameaça de perderem seus filhos ou maridos. Temos medo de perder nossa terra. Muitos deixaram de andar sozinhos', afirmou Mário Sérgio, trabalhador rural do povoado Bom Jesus.
Pedro da Silva, presidente da Associação Quilombola de Santa Maria dos Moreiras, declarou que, apesar das constantes ameaças, vai resistir às pressões dos latifundiários do agronegócio.
'Vamos continuar na luta. Quero acompanhar meus filhos crescerem. Quero abraçar meus netos, dentro da terra que vem dos meus avós. Nossas famílias estão unidas e confiantes de que a justiça será feita', disse o trabalhador rural.
No próximo domingo (18), representantes da Fetaema vão a Codó, onde participam de uma grande reunião com trabalhadores rurais de várias comunidades envolvidas em conflitos agrários no município.

Fonte: Jornal Pequeno

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