Após vandalismo na Arena Joinville, diretoria, enfim, deve discutir subsídios a facções que circulam com frequência em São Januário e Brasil afora

confusão torcida Atlético-PR e Vasco jogo (Foto: Reuters)Integrantes de organizadas em Joinville: presença frequente em São Januário (Foto: Reuters)
A briga entre integrantes de torcidas organizadas de Atlético-PR e Vasco na Arena Joinville, no último domingo, pode causar penas aos respectivos clubes. Mas pelo menos no caso cruz-maltino, os envolvidos nas cenas de barbárie fazem parte integrante do dia a dia de São Januário. Mantendo uma prática que se estende por décadas, em algumas ocasiões eles acabam por ser financiados pela diretoria, com benefícios que geram lucro.
Desde a manhã do último domingo, foi grande a movimentação de integrantes de organizadas do Vasco no hotel onde a equipe estava hospedada em Joinville. Muitos deles foram contemplados por diretores com ingressos para a partida e muitos já haviam feito valer o benefício de comprá-los com 50% de desconto diretamente do clube. Ex-funcionários do Vasco relatam que os líderes de organizadas revendem ingressos pelo preço inteiro na maioria dessas ocasiões.
Muitos dos flagrados nas violentas cenas da batalha da arquibancada da Arena Joinville no último domingo são figuras frequentes quando se trata de vandalismo. Ao observarem as fotos que circulam nos meios de comunicação, muitos jogadores do Vasco, inclusive, identificaram algumas das pessoas que invadiram o vestiário de São Januário no dia 18 de outubro para interpelá-los, cobrando melhores resultados no campo. Eles também estiveram presentes na briga com torcedores do Corinthians, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, dia 25 de agosto. Como consequência, o time perdeu quatro jogos de mando de campo no Campeonato Brasileiro.
torcida invsão protesto São Januário Vasco (Foto: Rafael Cavalieri)Integrantes de organizadas invadem vestiário de São Januário em outubro (Foto: Rafael Cavalieri)
Mas eles não estão presentes somente nos estádios. Algumas pessoas ligadas à diretoria afirmam que muitas das viagens das torcidas organizadas do Vasco para jogos fora do Rio de Janeiro são feitas com ônibus alugados por pessoas do clube. Além disso, em algumas ocasiões, integrantes das facções acabam por receber os chamados ingressos de reciprocidade. Isto é, bilhetes cedidos pelos clubes adversários, quando o Vasco é visitante, destinados normalmente a diretores, conselheiros e familiares de jogadores.
Os ônibus, entretanto, não são o único meio de locomoção dos integrantes das organizadas do Vasco. É comum ver essas pessoas – normalmente os chefes – nos mesmos aviões que conduzem a delegação pelo Brasil e pela América do Sul – como foi o caso da Libertadores de 2012. Há relatos de intimidação desses indivíduos dentro dos aviões, ameaçando com palavras ou olhares os jogadores que esbocem um sorriso após um resultado negativo na viagem de volta para o Rio de Janeiro.
A diretoria do Vasco admitiu que os episódios do último domingo vão provocar uma discussão interna sobre a relação com as torcidas organizadas.
- Teremos uma reunião na terça-feira sobre tudo que aconteceu em 2013 e vamos conversar sobre 2014. Vou colocar esse ponto sobre a relação com as organizadas na reunião. Ninguém ainda falou nada sobre isso, mas precisamos tomar providência para que não aconteça mais isso em um jogo de futebol. Ou a coisa muda ou a gente para (com a relação). Nesse jogo não vendemos ingresso com desconto, não houve isso. Demos alguns e vendemos pelo preço normal outros. Essas brigas precisam acabar - disse o vice-presidente de patrimônio, Manoel Barbosa.
Integrante de uma torcida organizada do Vasco que foi hospitalizado após a briga na Arena Joinville, Gabriel Ferreira Vitael acabou por perder a condução de volta ao Rio com a facção e permaneceu em Santa Catarina por não ter dinheiro para retornar por contra própria. Então, a diretoria cruz-maltina se mobilizou para que ele pudesse voltar de avião.

 Por Rio de Janeiro

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Após vandalismo na Arena Joinville, diretoria, enfim, deve discutir subsídios a facções que circulam com frequência em São Januário e Brasil afora

confusão torcida Atlético-PR e Vasco jogo (Foto: Reuters)Integrantes de organizadas em Joinville: presença frequente em São Januário (Foto: Reuters)
A briga entre integrantes de torcidas organizadas de Atlético-PR e Vasco na Arena Joinville, no último domingo, pode causar penas aos respectivos clubes. Mas pelo menos no caso cruz-maltino, os envolvidos nas cenas de barbárie fazem parte integrante do dia a dia de São Januário. Mantendo uma prática que se estende por décadas, em algumas ocasiões eles acabam por ser financiados pela diretoria, com benefícios que geram lucro.
Desde a manhã do último domingo, foi grande a movimentação de integrantes de organizadas do Vasco no hotel onde a equipe estava hospedada em Joinville. Muitos deles foram contemplados por diretores com ingressos para a partida e muitos já haviam feito valer o benefício de comprá-los com 50% de desconto diretamente do clube. Ex-funcionários do Vasco relatam que os líderes de organizadas revendem ingressos pelo preço inteiro na maioria dessas ocasiões.
Muitos dos flagrados nas violentas cenas da batalha da arquibancada da Arena Joinville no último domingo são figuras frequentes quando se trata de vandalismo. Ao observarem as fotos que circulam nos meios de comunicação, muitos jogadores do Vasco, inclusive, identificaram algumas das pessoas que invadiram o vestiário de São Januário no dia 18 de outubro para interpelá-los, cobrando melhores resultados no campo. Eles também estiveram presentes na briga com torcedores do Corinthians, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, dia 25 de agosto. Como consequência, o time perdeu quatro jogos de mando de campo no Campeonato Brasileiro.
torcida invsão protesto São Januário Vasco (Foto: Rafael Cavalieri)Integrantes de organizadas invadem vestiário de São Januário em outubro (Foto: Rafael Cavalieri)
Mas eles não estão presentes somente nos estádios. Algumas pessoas ligadas à diretoria afirmam que muitas das viagens das torcidas organizadas do Vasco para jogos fora do Rio de Janeiro são feitas com ônibus alugados por pessoas do clube. Além disso, em algumas ocasiões, integrantes das facções acabam por receber os chamados ingressos de reciprocidade. Isto é, bilhetes cedidos pelos clubes adversários, quando o Vasco é visitante, destinados normalmente a diretores, conselheiros e familiares de jogadores.
Os ônibus, entretanto, não são o único meio de locomoção dos integrantes das organizadas do Vasco. É comum ver essas pessoas – normalmente os chefes – nos mesmos aviões que conduzem a delegação pelo Brasil e pela América do Sul – como foi o caso da Libertadores de 2012. Há relatos de intimidação desses indivíduos dentro dos aviões, ameaçando com palavras ou olhares os jogadores que esbocem um sorriso após um resultado negativo na viagem de volta para o Rio de Janeiro.
A diretoria do Vasco admitiu que os episódios do último domingo vão provocar uma discussão interna sobre a relação com as torcidas organizadas.
- Teremos uma reunião na terça-feira sobre tudo que aconteceu em 2013 e vamos conversar sobre 2014. Vou colocar esse ponto sobre a relação com as organizadas na reunião. Ninguém ainda falou nada sobre isso, mas precisamos tomar providência para que não aconteça mais isso em um jogo de futebol. Ou a coisa muda ou a gente para (com a relação). Nesse jogo não vendemos ingresso com desconto, não houve isso. Demos alguns e vendemos pelo preço normal outros. Essas brigas precisam acabar - disse o vice-presidente de patrimônio, Manoel Barbosa.
Integrante de uma torcida organizada do Vasco que foi hospitalizado após a briga na Arena Joinville, Gabriel Ferreira Vitael acabou por perder a condução de volta ao Rio com a facção e permaneceu em Santa Catarina por não ter dinheiro para retornar por contra própria. Então, a diretoria cruz-maltina se mobilizou para que ele pudesse voltar de avião.

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